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domingo, 29 de novembro de 2009

O X DA QUESTÃO: EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA FUNCIONA?

Alunos dizem que não. Professor destaca suas vantagens


Por Ildes Fernando
Técnica Mista Av2

Encurtar as distâncias. É esse o objetivo da internet. Pensando nisso, as instituições de ensino vêm incorporando em seus cursos a modalidade de educação à distância. Desta forma, a sala de aula foi transferida para a casa de muitos estudantes, que administram o horário de estudo conforme a sua rotina.

Foto: opovo.com.br
Dados do Ministério da Educação (MEC) revelam que o número de alunos matriculados em cursos superiores a distância cresceu 106% entre 2007 e 2008. O aumento da participação da EAD no Ensino Superior brasileiro antes era de 4,2% e passou para 7,5%, em 2008. No ano passado, havia 761.099 matrículas nessa modalidade distribuídas entre 109 instituições de ensino público e privado.

O estudante de Jornalismo Genilson Marques Félix, quando ingressou na Universidade, se matriculou no curso presencial. Porém, no decorrer dos períodos, se deparou com a obrigatoriedade de fazer disciplinas online. Nas duas disciplinas que fez, seu desempenho foi muito baixo em relação às disciplinas presencias. Em uma repetiu e na outra passou "na risca".
— Não absorvi o conteúdo como deveria, pois nas disciplinas online eu não tive a oportunidade de assistir as palestras com os professores nos dias em que foram apresentadas. As minhas dúvidas demoravam para serem respondidas e a faculdade não toma nenhuma atitude para melhorar isso. Para mim, ensino a distância não funciona.

Anna Christina Soares Serafim também não vê rendimento no ensino online. A estudante do nono período de Direito diz que o problema está na postura do aluno.

— O ensino a distância não funciona porque o aluno não dá a devida atenção a uma matéria online como dá a uma matéria presencial. Além disso, as apostilas com o material de aula não é completo. Também não há como o aluno ter um contato direto com o professor e isso prejudica, e muito, o ensino, pois a experiência dele ajuda na hora da explicação, fixando, assim, a matéria.

“É uma enganação”
Anna Christina ressalta que a instituição é quem sai ganhando nessa história.

— É claro que a instituição é beneficiada. O aluno só sai perdendo. Não aprende o que deveria aprender. É uma enganação. A instituição cobra por uma matéria online o mesmo valor de uma presencial e paga apenas um professor, o que significa dizer que obtém um lucro muito maior — diz indignada.

A educação a distância requer disciplina e autonomia. Isso explica a prevalência de alunos mais velhos. Segundo um levantamento feito em 140 instituições, só 22% dos estudantes têm menos de 24 anos.

Do quadro de giz para a tela do PC
Apesar das críticas e da rejeição de vários estudantes, profissionais da educação defendem o método como uma evolução no ensino. Professor desde 2005 e há dois atuando no meio online, o mestre em comunicação e cultura, Wilson da Silva Rezende Filho, levanta a bandeira desse tipo de estudo.

— Ensino virtual funciona sim. Ele é mais que uma realidade. A questão é que a prática é muito recente e o novo sempre assusta. Não sou daqueles que ficam bradando em nome do novo, mas seu caráter embrionário gera resistência. Mas como nos advertiu Marshall McLuhan uma "tecnologia significa constante revolução social", e essa revolução está em curso em nome de um outro ensino, mais dinâmico e interativo. Acredito que ele funciona e muito.

As mudanças não atingiram somente os estudantes. Wilson também teve que se adaptar.
— Meus hábitos, minhas tarefas, tudo mudou. Antes, eu era professor na sala de aula e nas tarefas para sala de aula: preparo de aulas, correção de trabalhos e provas. Agora minha mente é voltada para o ensino full time (período integral). E isso reflete no presencial. Não que minhas aulas ficaram melhores ou piores, mas minha mente é a de um professor 24h. E eu acho que isso é ser professor. Foi um novo método de ensino que me fez ver isso. Uma tecnologia "não é boa, nem má, nem neutra", disse já Pierre Levy.

Por causa disso, dá até para sentir diferenças entre o novo e o tradicional.

— No presencial é visível a passividade de muitos alunos e a aceitação do mestre com e como verdade absoluta são cada vez maiores. No a distância a participação é fundamental. O aluno precisa estar ali e no seu ritmo co-criar com o professor — avalia Wilson, que acredita que as duas maneiras de ensinar devem caminhar juntas.
Para os alunos vale um conselho e o que esperar para o futuro.

— Explorem! Façam desse ambiente mais que um ambiente de exposição da vida - como se tornou o ORKUT - mas de troca de conhecimento. Pensem na ótima questão também levantada por McLuhan de que os meios eletrônicos são "salas de aulas sem paredes". É importante também repensar o impacto no ensino e a forma engessada com que ele vinha sendo tratado até por nós professores. Para os próximos anos, pode-se esperar mais conexões, mais movimentos e acima de tudo mais criações em conjunto, mas não só esperar; agir. Assim penso minhas aulas — enumera Wilson Oliveira, autor do livro "Desconstruindo McLuhan: o homem como (possível) extensão dos meios”.

A origem da modalidade

A educação a distância surgiu no século XIX. A University of London foi a pioneira e o seu mais ilustre aluno foi o ex-presidente da África do Sul, Nelson Mandella, que fez o curso de Direito por correspondência na prisão.

Na Segunda Guerra Mundial, soldados americanos já estudavam a distância. Durante o pós-guerra, houve a necessidade de formar profissionais rapidamente para que dessem conta de reconstruir os países da Europa.

No Brasil, a EAD teve início no fim do século XIX. Aprendia-se datilografia por correspondência. Depois, aulas começaram a ser transmitidas pelo rádio. E o aparelho que revolucionou a comunicação na época também virou tema de curso: as pessoas montavam seus próprios rádios e também faziam a manutenção desses aparelhos. Era um novo negócio, uma nova demanda, uma evolução no Brasil na época. O Instituto Monitor, aberto há 70 anos, em São Paulo, é a escola mais antiga em funcionamento no país.

No ensino superior e na pós-graduação, a educação a distância no Brasil caminha a passos largos. A oferta de cursos superiores dentro do país cresceu 571% entre 2003 e 2006. O dia 27 de novembro é considerado o Dia Nacional da Educação a Distância A data foi instituída, em 2003, pela Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED).

sábado, 28 de novembro de 2009

MULHERES QUE AMMAM A VIDA

ONG de Nova Friburgo ajuda mulheres com câncer de mama

Por Ildes Fernando
Taça Champanhe AV2

Tâmia dos Santos Oliveira tem 68 anos e há um ano se deparou com o maior desafio de sua vida. Com a prisão do filho, ela passou por momentos de angústia, tristeza e desespero. Na tentativa de resolver o mais rápido possível a situação difícil pela qual estava passando, a aposentada mergulhou em um abismo de dor e sofrimento.
Divulgação
Toda essa preocupação acabou afetando sua saúde. Foi aí que Tâmia teve mais um baque. Notou um caroço no seio. Depois de ir ao médico e fazer alguns exames, veio o temido diagnóstico. Câncer de mama.

Com medo de que algo pior pudesse acontecer, Tâmia buscou ajuda. Aconselhada por uma vizinha, ela procurou uma ONG de Nova Friburgo que presta assistência a mulheres com câncer de mama. Encaminhada para o Instituto Nacional do Câncer (INCA), Tâmia achou que o problema era grave.

Apesar da insegurança e pensando que iria morrer, fez a cirurgia. E para a sua surpresa tudo deu certo. Há dois meses terminou com as sessões de quimioterapia.

Tudo isso foi possível graças ao apoio da AMMA (Associação da Mulher Mastectomizada de Nova Friburgo).

“A AMMA deveria ser vista como algo necessário. Aqui tive toda a orientação e assistência. A AMMA representou a vida, me devolveu à vida”, emociona-se Tâmia dos Santos, que ainda continuará em tratamento por mais cinco anos como medida preventiva.

Ajuda voluntária
Esse é apenas um dos quase 500 casos que a instituição acolheu nestes oito anos de existência. Com a ajuda de mais oito pessoas, Rosângela Coelho fundou a ONG após enfrentar um câncer de mama e conhecer as dificuldades e a falta de assistência que mulheres com a doença encontravam na cidade. Hoje, 250 pessoas fazem doações em dinheiro todo mês e dez voluntárias dedicam o seu tempo para as atividades diárias da AMMA.

“É gratificante poder ajudar as pessoas que passam por esse problema. É essencial acolhê-las. Várias mulheres que estão com o câncer chegam aqui desesperadas achando que vão morrer. Depois de serem orientadas sobre a doença e receberem toda a assistência necessária, elas saem daqui com a auto-estima renovada. Todas as mulheres acabam se tornando voluntárias da ONG”, explica a dona de casa Iranir Gonçalves Chermonth, coordenadora de eventos da ONG há seis anos.

Os eventos coordenados por Iranir chegam a mobilizar cerca de 100 voluntários. Chás beneficentes, amigo oculto, festas juninas reacendem a vontade de viver e abrem espaço para a troca de experiência e para a reflexão. Tais eventos congregam as mulheres que já venceram o câncer com aquelas que ainda estão lutando. Nos últimos cinco anos, o dinheiro arrecadado com as festas possibilitou a compra da sede própria da instituição, que antes funcionava em uma casa alugada.

Lar, doce lar
No novo espaço, o tom rosa das paredes alegra o ambiente muitas vezes marcado por tristezas. Cada cantinho atende a uma necessidade. Na recepção uma simpática senhora, no auge dos seus 70 anos, ocupa os dias com trabalho social.

“Às vezes só uma conversa ajuda muito. Estamos aqui para ajudar e fazer com boa vontade”, diz Irlene Klein Ribeiro, secretária da AMMA há seis anos.

Na sala de reuniões os vários certificados comprovam a importância da ONG. No corredor que leva à sala de tratamento psicológico e fisioterápico, as fotos dos fundadores e das confraternizações contam um pouco dessa história. Mais adiante, há um espaço para perucas, gorros, chapéus e próteses mamárias destinados às pacientes em tratamento quimioterápico. A costureira Sueli da Sylva Santos é a responsável pela fabricação das próteses:

"Conheci a AMMA através de uma reportagem, quando já estava com três anos de operada do câncer. Isso já faz sete anos. Fiz em São Paulo cursos de confecção das próteses de polietileno, que hoje fabrico aqui. Sou responsável também pelo bazar, que funciona de segunda à sexta-feira, das 13 às 18 horas".

No segundo andar da sede, adquirida em dezembro de 2007, a sala de artesanato é um espaço onde as mulheres “tricotam” os assuntos do dia-a-dia. Prática que já faz parte da vida de Maria Helena Soares dos Santos, que passou ali por momentos marcantes:

"Sou presidente da AMMA há quatro anos, mas a conheço desde o seu início, pois sou uma das fundadoras. Fico feliz por nosso trabalho fazer efeito nas mulheres que chegam tristes e saem daqui com um sorriso no rosto. Pude presenciar dois momentos marcantes: primeiro quando atendemos uma criança de cinco anos com câncer e, recentemente, quando recebemos a primeira carta de agradecimento, escrita pelo filho de uma senhora que estava sendo ajudada por nós, mas que faleceu no dia 19 de abril".

E é assim, somando vitórias e superando perdas, que a Associação da Mulher Mastectomizada de Nova Friburgo une forças com a população para superar as dificuldades, estando sempre de portas abertas para quem chegar.

“A AMMA depende da comunidade que, freqüentemente, é solícita conosco, ajudando sempre que precisamos”, reconhece Maria Helena.


Fotos: Arquivo AMMA


terça-feira, 24 de novembro de 2009

MUNDO VIRTUAL: FAZER PARTE OU NÃO FAZER? EIS A QUESTÃO

A internet é uma evolução, traz novos hábitos e aniquila outros

Por Jaqueline ferreira
Taça de Champanhe- AV2

Sexta-feira à noite. Momento tão esperado. É hora de encontrar os amigos, conversar fiado, ver as crianças brincando na rua, brindar o fim de semana.

João e Wanderson moram em Sumidouro, interior do Rio de janeiro. São muito amigos e aproveitam a noite de sexta para jogar conversa fora. Eles dão risadas, comentam sobre o que aconteceu na escola, as novidades da galera, combinam programas para o final de semana. Mas se vocês pensam que os dois estão em um barzinho ou na praça, se enganaram. Cada um está em casa fazendo tudo isso diante da tela de um computador.

Com a intenção de entender melhor a sociabilidade na rede, abri mão da facilidade e do conforto que a internet possibilita e fui até a casa de João para entevistá-lo cara-a-cara. No caminho, rua vazia e muito silêncio. Encontrei apenas um garotinho, brincando sozinho com sua bola. Cenário incompatível com as lembranças da minha adolescência.

Me lembro da rua fervilhando. As crianças brincando de futebol, queimado e tudo o que a imaginação permitisse. E nós, eu e minhas amigas da época, saíamos para bater papo até às 22 horas. Só depois da hora-limite, imposta por nossos pais, a rua silenciava.

Morar no interior nos possibilitava ter mais liberdade e mais segurança para sair à noite. Todos se conheciam e sabiam detalhes da vida alheia. Era um tempo de relacionamento direto, de discutir quando se estava chateado, abraçar os amigos e até de pedir aquela folclórica xícara de açúcar ao vizinho.

Tempos modernos
João de Almeida tem 16 anos, é estudante do Ensino Médio e pertence a uma geração acostumada desde cedo com a presença do computador. Ele acha normal se relacionar por MSN.

― Com a internet faço novas amizades, pesquisas e até namoro. No MSN eu fico mais solto, perco a minha timidez. Falo coisas que tenho vergonha em dizer pessoalmente.

Mesmo estando integrado no mundo virtual, o adolescente procura manter as suas amizades reais e tem a consciência de que a internet aproxima e também distancia as pessoas:

― Com os meus amigos reais procuro fazer algumas atividades juntos, como, por exemplo, sair aos sábados. Antes da internet a gente se via mais, eu ia até eles. Sinto falta, mas prefiro ficar em casa.

As relações familiares e alguns hábitos do cotidiano também mudaram.

― Desde que a internet chegou aqui em casa, nunca mais jantei com os meus pais. Fiquei um pouco mais distante, mais isolado. Minha mãe tenta controlar o meu tempo no computador, mas mesmo assim nos afastamos. Sei que tem como evitar, mas a gente não consegue― confessa o jovem.

Nesse momento, o pai de João entrou na conversa e lembrou com nostalgia os seus tempos de garoto.

― Meu filho chega em casa e vai direto para o computador. Não gosta de ser incomodado. Antigamente, não tínhamos essa novidade. Jogávamos bola de gude, brincávamos de pique esconde na rua e tínhamos até tempo para fazer brinquedos de madeira. Hoje falta criatividade. Tudo já vem pronto― lamenta Julcinei de Lima, 49 anos.

Inconformado com a crítica, João entrega seu pai:

― É, ele fala isso, mas tem Orkut, volta e meia mexe na internet.

Meio sem graça, Julcinei admite:

― Eu vejo as novidades, as notícias, culinária, meu Orkut. Fazer o quê? É a evolução.

Evolução que gera a modificação
Mesmo estando integrado ao mundo virtual, Julcinei sente falta das reuniões em torno da mesa, da troca de experiências, de saber como foi o dia dos familiares e de ensiná-los a fazer os tais brinquedos. Sua geração não se acostumou com as amizades mediadas por computador, ao contrário do filho.

Me despedi. E grande foi a minha surpresa ao chegar na casa de Wanderson. Encontrei João contando para o amigo como tinha sido engraçada a entrevista que acabou de acontecer. Papo, é claro, feito pelo MSN.

Wanderson Ferreira, 15 anos, é louco por internet. Sua família não impõe regras sobre o tempo gasto na web e o jovem tem total liberdade para navegar a hora que quer.

Meus pais não me controlam. Tenho liberdade para acessar, mas essa liberdade é baseada na confiança.

O estudante revela ainda a conseqüência dessas horas dedicadas à rede:

Antes a família se reunia para ver novela. Agora eles ficam lá e eu aqui na net. Não saio mais a noite para falar com os amigos, não preciso sair.

Ficar horas na internet é uma realidade na maioria dos lares. De acordo com uma pesquisa realizada pelo IBOPE Nielsen Online, em julho deste ano, o tempo médio de navegação por usuário em casa ou no trabalho, no Brasil, foi de 48h e 26min. Esse número sobe para 71h e 30min se for levado em consideração o uso de aplicativos, como programas de downloads e tocadores de música.

A pesquisa mostrou também que o Brasil lidera o ranking mundial de tempo de navegação em ambientes residenciais. O país, com as suas 48h e 26min, ficou na frente dos Estados Unidos (42h e 19min), Reino Unido (36h e 30min), França (33h e 22min), Japão (31h e 55min), Espanha (31h e 45min), Alemanha (30h e 25min), Itália (28h e 15min), e Austrália (23h e 45min).

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

DIA MUNDIAL DO DIABETES

Por Anna Carolyna Asthine Neves

No dia 14 de novembro foi comemorado o Dia Mundial do Diabetes, doença que está se tornando a mais comum do século. O tema da campanha esse ano é lutar para que nenhuma criança fique sem tratamento ou morra por causa do diabetes.

Segundo IDF (International Diabetes Federation), cerca de 246 milhões de pessoas em todo o mundo são portadores do diabetes. A pesquisa também aponta que até 2025 o número deve aumentar para 380 milhões.

Se não for descoberta na infância a doença pode levar a morte rapidamente. É importante que os pais tomem consciência das prevenções para evitar males e complicações posteriormente.

Em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, concentra-se o Instituto da Criança com Diabetes. Lá, elas têm o tratamento adequado e recebem a atenção devida. No dia 14 de novembro, o Instituto participa das comemorações iluminando sua sede com luz azul.

A luz azul esteve presente em vários lugares do mundo e, no Brasil, além de muitos outros locais, o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro e a Ponte Hercílio Luz, em Florianópolis, receberam as luzes. Essa data foi escolhida por ser o dia do aniversário de Frederick Banting. Ele e Charles Best foram os responsáveis pela descoberta da insulina.

DIABETES NÃO TEM IDADE

"Eu posso comer brigadeiro, mas tem que ser com leite condensado diet.” A estudante Raiane Pitanguy, de apenas 10 anos, já aprendeu a lição. A necessidade do controle alimentar veio por causa de uma doença cada vez mais comum entre as crianças: o diabetes.

Raiane está em tratamento, mas o problema não pode ser sanado. A diabetes é uma doença crônica e precisa ser controlada para o resto da vida. Pediatras e nutricionistas orientam as mães para lidar com a doença, mas no caso de Raiane são necessárias também consultas regulares com o endocrinologista.

“Quando a glicose aumenta muito ela fica com dor de cabeça e enjôo. Costuma passar muito mal”, conta a mãe da menina. A diabetes é uma doença facilitada por fatores hereditários e impõe ao paciente uma dieta que evite gorduras e principalmente o açúcar.

Segundo pesquisa da Fiocruz tem aumentado o número de crianças em idade escolar com incidência de diabetes. Nos casos mais graves, quando o paciente tem a diabetes tipo x é necessária a aplicação de insulina. Mesmo quando a criança não é insulinodependente as mães têm dificuldades: “Ela sabe que não pode comer doce, mas criança é difícil de controlar, principalmente quando está longe da gente.” Explica a mãe de Raiane.


Além da pré-disposição genética, a diabetes pode ser causada por má alimentação e excesso de peso, tanto em crianças quanto em adultos. É importante procurar uma alimentação saudável com muitas frutas e legumes e praticar exercícios físicos regularmente.
Raiane participa das aulas de educação física na escola, mas isso não basta para combater a diabetes. Vale ressaltar que fatores genéticos, metabólicos, psicológicos e alimentares influem no desenvolvimento e controle da doença. E aí está a maior dificuldade no tratamento da diabetes infantil: convencer uma criança de 10 anos que ela precisa fechar a boca.











OBESIDADE É UMA DOENÇA SIM

Por Anna Carolyna Asthine Neves

A obesidade é caracterizada como uma síndrome e acontece devido ao acúmulo excessivo de gordura no organismo. Acima de 20% do peso ideal de baseando-se pela altura, o indivíduo já pode ser considerado obeso.

É necessário ter a consciência que obesidade é uma doença e causa outros problemas graves de saúde se não for tratada. Alguns exemplos de doenças causadas pela obesidade são: doenças cardiovasculares, diabetes, hipertensão arterial, artrose, varizes e vários tipos de câncer, diminuindo na maioria dos casos, a expectativa de vida de seus portadores.

Existem muitos tratamentos para combater esse mal, mas as facilidades que surgiram com a tecnologia (carro, controle remoto, internet) faz com que 1,6 bilhão de pessoas adultas esteja acima do peso em todo o mundo, dentre elas, 400 milhões são consideradas obesas, segundo a Organização Mundial da Saúde.





Lívia Asthine com 1,05 de altura já pesa 25 quilos

EM BUSCA DA SUPERAÇÃO!

Por Anna Carolyna Asthine Neves

Com sete anos de idade, Lívia Asthine Domingues tem apenas 1,05 metro de altura e já pesa 25 quilos. Além da paixão por bonecas e músicas, ela adora comer, mas é controlada a todo momento pela avó Olinda e a mãe Adriana : “Temos que ficar vigiando a Lívia 24horas por dia. Se bobear ela come escondido”. Conhecida como Lili, a pequena menina está sendo alfabetizada em uma escola particular do município de Teresópolis e já consegue lê e escrever várias palavras.

A mãe, Adriana Domingues, fica emocionada com cada evolução da filha. Além da escola, Lívia freqüenta a fonoaudióloga desde bebê e já está falando quase tudo. A fisioterapia não foi preciso continuar, pois com dois anos ela conseguiu atingir o objetivo: andar. Só a dieta que ainda é um caminho difícil e longo para percorrer.


Diferente de outras crianças que têm o mesmo problema, Lívia foi diagnosticada com apenas 14 dias de vida e por isso tornou-se um referencial para outras famílias que sofrem com essa síndrome. O diagnóstico pode demorar até dois anos e enquanto isso, a criança fica sem o tratamento adequado.

- Lívia é realmente um milagre. Os médicos ficaram felizes e ao mesmo tempo surpresos com a descoberta tão rápida da causa. Ela não mamava e não tinha força na musculatura, isso contribuiu para a descoberta do problema.Conta o pai, Marcelo Domingues de 37 anos.

Meninos e meninas podem ter esse tipo de problema e o que preocupa médicos e familiares, é a vontade insaciável da criança comer. A ‘mensagem’ de saciedade da fome não chega ao cérebro, fazendo com que eles comam compulsivamente causando mais danos a saúde através da obesidade.


A Síndrome de Prader Willi é de origem genética paterna, e ocorre no momento da concepção. O quadro apresenta muitas possibilidades de deficiências e ainda não tem cura, por isso é caracterizado como uma síndrome. É uma síndrome desconhecida e poucos profissionais da saúde sabem sobre ela. A incidência é pequena, em torno de 1:1. 5000 de pessoas e o risco do mesmo casal ter novamente um filho com a doença é menor que 0,1%.

Outras características marcantes como: baixa estatura, lábios pequenos, mãos e pés desproporcionais ao corpo e pouca facilidade de aprendizado podem ser amenizados com hormônios. Os meninos tomam testosterona e as meninas o GH. Os resultados não são garantidos, mas há uma grande possibilidade de aceitação pelo organismo do paciente.

Lívia já fez todos os exames e está aguardando a liberação do médico. - Não vejo a hora dela poder tomar o hormônio. Tenho certeza que Deus vai nos abençoar e ela vai crescer normalmente. Diz Adriana, emocionada.

Fotos: arquivo pessoal




Lívia com dois dias de vida

CURIOSIDADES

Por Diego Cristane

Vestuário

Se quiser pode usar a útlima moda! Ou se preferir use o mesmo estilo que usava antes. As bolsas modernas são extremamente discretas, por isso relaxe, pois não se notará nada. Deve-se ter apenas a precaução de não colocar cintos, elásticos ou roupas muito apertadas por cima do ostoma, para se sentir mais confortável.

Esportes

Pode e deve praticar exercício físico! Atividades como correr, andar de bicicleta, nadar ou jardinagem, são totalmente recomendáveis. Se decidir praticar um esporte ou uma atividade que exija um grande esforço físico, deverá consultar o médico ou enfermeiro estomatoterapeuta.

Viagens

Pode viajar à vontade e sempre que o desejar! Quando viajar, apenas não se esqueça de preparar uma pequena maleta que tenha todo o material necessário para cuidar do seu ostoma durante o período que estiver fora de casa. Aconselha-se que leve sempre consigo e na sua bagagem de mão este material, pois em caso de extravio das malas, estará sempre prevenido.



FONTE:

Convatec – Empresa responsável pelo envio de material aos ostomizados citados nas matérias.

Associação dos Ostomizados busca apoio da sociedade friburguense

Por Diego Cristane

Fundada há mais de 10 anos, a Associação dos Ostomizados do Centro-Norte Fluminense vem buscando a cada dia se fortalecer divulgando a instituição, orientando os necessitados e conscientizando a população sobre a importância da colaboração e diminuindo o preconceito em torno do problema.





Criada para prestar auxílio aos ostomizados, a entidade reivindica direitos e apoio por parte dos órgãos municipais, estaduais e federais para obtenção de bolsas de ostomia (material essencial na vida de um ostomizado) e de acompanhamento médico.
A maioria dos associados é de baixa-renda e depende da ajuda que vem da associação. Entre eles estão crianças, homens e mulheres de todas as idades. A origem também varia, porque a entidade abrange os ostomizados de toda a região centro-norte fluminense. Esta região inclui as cidades de Carmo, Cordeiro, Cantagalo, Macuco, Bom Jardim, etc.
A maior conquista por parte da instituição é a atual sede, localizada na rua Mathilde Carpentier, no centro da cidade. Lá, é possível ao associado desde obter fácil cadastro até mesmo ir ao banheiro com toda a infra-estrutura necessária. Segundo a voluntária Regina, o acompanhamento dado ao ostomizado é fundamental para tornar suas vidas normais como eram antes.
- Aqui eles têm todo um auxílio, desde acompanhamento médico e material até acompanhamento pessoal do associado. Tentamos fazer o papel da família do ostomizado, indo até sua residência e prestando o auxílio devido – conclui.




Todo mês, uma reunião é realizada entre os associados e ela é aberta também à comunidade. O encontro é uma alternativa para unir e conscientizar a sociedade e a instituição para daí surgirem futuras parcerias.
Alguns eventos são promovidos para arrecadação de recursos, como chás e bazares, já considerados tradicionais na entidade. Atualmente a associação trabalha para realizar um bazar natalino.





Você sabia que um ostomizado pode praticar exercícios físicos? Clique AQUI para saber algumas curiosidades sobre a vida de um ostomizado.

Ostomizada mostra a importância do voluntariado em Nova Friburgo

Por Diego Cristane

Muitas pessoas hoje em dia têm acesso às mais variadas informações. No entanto, a diversidade de conteúdos muitas vezes pode ser insuficiente quando o assunto é ostomia. O significado do termo ostomia ainda é bastante desconhecido na sociedade.
Todos sabem que o aparelho digestivo dos seres vivos tem um papel muito importante na absorção de nutrientes, assim como na sua posterior eliminação. Os elementos que não são úteis ao organismo transformam-se em fezes.
Por distintas razões algumas pessoas necessitam ser operadas para desviar as fezes da saída habitual e construir um novo caminho para o exterior. Este tipo de operação chama-se ostomia e realiza-se criando uma “boca” de saída através da parede abdominal.
O estoma constrói-se com uma porção de intestino e é através dele que as fezes saem. Por esta razão, as pessoas ostomizadas necessitam utilizar uma bolsa para coletar as fezes ou urina.
Avanir Thuller, de 52 anos é ostomizada desde os 36 anos e aprendeu a conviver com o procedimento médico desde o início do tratamento. Ela sofreu uma retriculite e o problema foi irreversível.
- Quando tinha trinta e cinco anos comecei a ter problemas de sangramento. Procurei o médico para fazer exames, foi quando descobri que era portadora de retriculite. Já tem 16 anos que operei para a colocação da bolsa. Na época fiquei 18 dias internada no hospital, diz Avanir.
Desde o início do tratamento Avanir teve forças para entender o problema e passou a conviver com a bolsa de ostomia sem maiores transtornos. Ela ainda buscou se superar e passou a ajudar quem necessitava de tratamentos referentes à ostomia.
- Reagi muito bem à colocação da bolsa e graças a Deus aceitei desde o início. Já tem dezesseis anos que uso a bolsa e não tive grandes dificuldades. Estou sempre pronta a ajudar a outras pessoas que tem que passar pelo procedimento, conclui emocionada.



Avanir atua como voluntária desde o surgimento da Associação e, para ela, algumas pessoas têm algum tipo de preconceito ao descobrir que a pessoa é ostomizada. “Temos que levantar a cabeça, seguir em frente e deixar os preconceituosos de lado. Eles não pensam que hoje somos nós, mas amanhã podem ser eles”, analisa.
Por outro lado, ela acredita que o ostomizado sofre preconceito dele próprio. “Existem casos que a própria pessoa não aceita a patologia e tem medo de dizer para as outras pessoas que ela é ostomizada e, às vezes, o próprio paciente cria esse preconceito. Comigo isso não acontece, pois tenho muita facilidade de falar para as outras pessoas sobre o meu problema e orientá-las sobre o que for necessário.”